Rua do Egito era estreita e formada por casarões coloniais

Rua do Egito não era uma via larga, como é, hoje, se comparada com as ruas e becos estreitos do Centro Histórico de São Luís.

Permaneceu estreita até a década de 1930, quando os prefeitos Otacílio Ribeiro Saboia (governou o município de 1936 a 1937) e Pedro Neiva de Santana (de 1937 a 1945) colocaram em prática um projeto de renovação urbana para mudar a feição da cidade colonial para uma cidade moderna, com o alargamento de ruas, como a do Egito, e criação de novas avenidas, como a Magalhães e Getúlio Vargas.

Na Rua do Egito, os casarões coloniais foram demolidos e, no lugar, foram erguidos os bangalôs e outros imóveis, entre os quais, o do Cine Roxy, hoje, Teatro da Cidade.

Até meados do século XIX, a Rua do Egito era um dos orgulhos da paisagem urbana de São Luís por causa de seus belos e altos casarões.

Essa concepção, imponente no século XIX e que ficou ultrapassada na década de 1930, foi produto do Ciclo do Algodão, que começou com a criação da Companhia Geral de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, em 1755, pelo Marques de Pombal, o todo poderoso em Portugal no reinado de D. José I.

A força do Ciclo do Algodão durou até por volta da década de 1860, quando a economia agroexportadora maranhense, sustentada pelo trabalho da mão de obra escrava, começou a entrar em decadência.

No tempo da Belle Époque (1871-1914), a Paris de avenidas largas passou a ser referência no mundo e a São Luís de ruas estreitas, a do Ciclo do Algodão, já era vista como velha por alguns visitantes.  Os botânicos, Luiz e Elizabeth Agassiz, em visita de dois dias, em 1856, já acharam as ruas da cidade muito estreitas.

Há várias fotografias significativas da Rua do Egito apresentadas pelo historiador Antônio Guimarães.

As apresentadas nesta postagem mostram os dois estremos da rua.

Uma é do trecho mais próximo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. De autoria de Gaudêncio Cunha, é mais difundida, inclusive pelas redes socais.

A outra, mais rara, mostra o trecho do Largo do Carmo/João Lisboa, em um ângulo em que aparece a ligação da praça com a Rua do Egito. A Rua do Egito está atrás do bonde. Nessa imagem é visível como a Rua do Egito era estreita.

Vejam que na foto, o Quartel de Infantaria ficava onde é, hoje, uma agência do Banco Real.

A professora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Uema, Grete Soares Pflueger, explica que grandes mudanças foram feitas em São Luís, com demolições de casarios antigos para renovação urbana, entre os anos 1930-50.

entre as mudanças, a triplicação da Rua do Egito, a abertura da Avenida Magalhães de Almeida (em diagonal ) e a construção da  avenida Getúlio Vargas.

Foi no âmbito da renovação urbana da Era Vargas, na intendência de Paulo Ramos e gestão de Neiva de Santana  que as novas  linguagens arquitetônicas como o art déco ( hotel central , Roxy, Correios )  e a arquitetura moderna ( bangalows , casas modernistas , BEM e INSS ) incorporaram ao centro um ar moderno .

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