Lançamento de Gabriela, livro de Bruno Azevêdo

O poeta português Fernando pessoa escreveu certa vez que todas as cartas de amor são ridículas, no que provavelmente é seu mais famoso verso. Pouco antes, numa carta à sua amada Ophélia de Queiroz, disse que “para me mostrar o seu desprezo ou, pelo menos, sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido”, mostrando que mesmo o papa do negócio não escapava do drama quando um certo alguém lhe despertasse o sentimento.

Pessoa é um entre vários missivistas famosos que meteram pelas mãos os pés num enlace; desde que o mundo é mundo se escreve cartas de amor, de João Bidu a James Joyce, do Mensageiro do Amor a André Gorz — que se matou com a esposa após escrever para ela um monumento –, ou Graciliano Ramos, que deixou de mão a sisudez pra, em oito cartas, conquistar o coração da jovem Heloísa, nos anos 1920.

Mas e hoje?

Quem escreve cartas de amor numa sociedade em que se manda nudes?

O que é escrever uma carta de amor nos anos 10?

Foi pensando nisso que o escritor Bruno Azevêdo decidiu publicar Gabriela, carta de amor quer escreveu (e enviou) há um ano.

Gabriela, parte de uma experiência real do autor, que juntou retratos de anônimos em Salvador para compor uma carta: “a ideia era ver como os retratos, coisa que eu tenho feito muito desde o Ostreiros, funcionariam pra falar a alguém”, comentou.

O resultado é um livro em papeis coloridos, costurado artesanalmente, com um envelope que imita antigos expressos aéreos, lançado na Flip (Festa Literária de Paraty, RJ) na última semana de julho. A tiragem artesanal é de 200 exemplares.

Para o autor, escrever e publicar uma carta de amor hoje é recuperar algo muito antigo e em desuso, sobretudo quando as possibilidades do mundo digital alteram cada vez mais as formas de interação humana.

Gabriela, inicia um projeto editorial maior, em que o escritor traz à baila cartas de amor escritas por anônimos. As correspondências foram encontradas em arquivos pessoais. Para Bruno Azevêdo, que também é historiador, “embora formulaicas, cartas de amor dizem muito sobre a sociedade nas quais foram escritas”.

Foto de Kesia Maia

Serviço

Lançamento de “Gabriela,” novo livro de Bruno Azevêdo

Dia: Quinta, 23 de agosto

Local: Chico Discos, Rua dos Afogados, 387 – Centro

Hora: 20h

Programação: Leitura do livro e outras cartas, além de discotecagem de vinis.

Extra: Gabriela, já está disponível na livraria AMEI (São Luís Shopping) e no site da editora (www.pitomba.iluria.com)

Livro Gabriela

Bruno Azevêdo

36 p, formato 14x18cm

R$ 30,00

Lançamento: 23 de agosto,

20h Chico Discos – Rua dos Afogados com São João, centro

Disponível em pitomba.iluria.com e na livraria AMEI

Bruno Azevêdo, 38, é ludovicense. Autor de 10 livros, entre eles O Monstro Souza, Baratão 66, Breganejo Blues e Em ritmo de seresta.

Contatos

98 98159.0200

bazvdo@hotmail.com

1 comentário

  • Adorei a idéia do autor. Pessoamente e desafiando teectuaia quase unanimidade sobre a superior inteectuaidade do escritor FERNANDO PESSOA. Discordo da sua sentença sobre o “Ridícuo das cartas de amor”.

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