Cidade velha de São Luís dentro de cada um

Vivo em ‘espaço de sobrevoo’ quando estou entre edifícios espelhados e áreas de condomínios onde moro.

Meu espírito paira pelo Centro Histórico de São Luís, desde minha infância, na Av. Beira-Mar, esperando o barco para ir à Ponta d’Areia, com minha irmã, Lúcia.

Eu não teria outro jeito.

Era tempo sem ponte São Francisco, sem prédios espelhados no horizonte da cidade.

Nada contra prédios espelhados. Gosto de São Paulo, da Avenida Paulista. Gosto da diversidade, moda, cinema, cultura e alta gastronomia.

Mas estou impregnado do centro Histórico de São Luís, do Mercado Central, de prato-feito.

Sempre sonho dentro de minha casa da infância na esquina das Ruas Godofredo Viana e Afogados.

Observando a vizinhança, quem passava… A varanda, os caminhos pelos telhados até a caramboleira da casa de Dona Esmeralda ou o pé de goiaba do quintal dos Maluf.

Numa tarde de chuvas fortes, a gente deixou de ir ao circo Tihany Magico, que estava instalado no Diamante. Muita água escorrendo em direção à Rua do Ribeirão.

Na copa, em cima da mesa, o café bem quente às 3 da tarde, ao lado da lata de leite Ninho, do açucareiro com açúcar Estrela, da manteigueira com manteiga Real e do saco de pão da Padaria Santa Maria. Não falhava!

Esperando, ao entardecer minha velha mãe chegar da missa na Igreja do Carmo.

Na expectativa de meu pai vir de Pindaré-Mirim com o carro cheio de especiarias.

Por isso gosto de fotos, gravuras e pinturas da São Luís de outros tempos e de qualquer lugar.

Para mim, há grande valor em ar limpo, água limpa, céu noturno escuro, espiar vidas pela janela e espaço para passear.

Esta foto, publicada na Revista do Norte, no início do século XX, é da área da Fonte do Ribeirão.

Que o Centro Histórico de São Luís sobreviva a mais um período de fortes chuvas e dentro de nossos corações.

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