Poesia “São Luís, Cidade Vel(h)a”, de Cynthia Martins

Cynthia Martins (Foto Uirá Mantovani)

Reta-Lisa-Superfície,

Repousa a cidade,

Ou rebuliça-se se mais perto fosse possível.

Translucida luz das luzes,

Barco em triângulo de vela,

Plaina o mar,

Pintado por essa vela,

Com cor mangue em destaque,

O pleno plano balança,

Nas veias dos meus olhos,

No visual em respingo,

Olho na parede o quadro,

Que reproduz aos meus,

mesmos olhos desacostumados.

 

Cidade tela se apresenta,

Se desviasse o olhar,

Distraída ou assustada,

Cairia em cenário real

O Convento das Mercês e seu laranja, goteja.

O Palácio dos Leões transluz em branco combinado

Sé, Santo Antônio, Do Carmo, De Santana

Brancas como a Alfândega

Que em janelas se destaca

Passado pesado.

 

Ali na Vila Nova

O mangue em tão puro estado,

É quase um suplício de cheiros,

E de visuais,

Paus brancos,

Com raízes que invertem também a noção de que raízes são de dentro,

Não, as raízes são de fora,

Quase esqueléticas,

Mangue aberto.

 

Na minha imaginação,

Mesmo no sono que intervalou

Esse momento e dia seguinte

Permanece a cidade em traço.

 

Rio

E o sentido também se fez,

No rio quase findado,

Da poluição do mundo,

Que corre bem perto

Ele, o rio me pergunta?

Por que não fluis?

Por que não resistes como um filete?

Mesmo que cortem tuas nascentes?

Cynthia Martins

Neste ano, a poeta Cynthia Carvalho Martins foi classificada em dois concursos nacionais de poesia organizados pela editora Vivara.

O poema “Cidade Vel (h)a” esteve entre os melhores no concurso Poesia Brasil 2019 com publicação no livro “Poesia Brasil 2019”.

O poema “Rio” ganhou classificação no concurso Nacional Novos Escritores e publicação no livro “Novos Escritores 2019”.

Está disponível o novo livro de poesia dela, Miração, publicado pela editora Viseu e em fase de impressão o livro de contos Quase Cadência. É composto por poemas com sínteses e condensações de situações nas quais o sagrado articula-se ao quotidiano e às lutas de grupos sociais distintos.

Propõe uma linguagem centrada em observações de situações aparentemente comuns, mas que, se percebidas para além das formas de classificações usuais, podem revelar relações nas quais prevalece uma deslegitimação das ações e formas de pensamento das mulheres. Em todos os contos, a mulher figura como a personagem principal.

 

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