Carpe diem, Jorge Capadócia

Por Ed Wilson Araújo 

Era uma daquelas noites em que tudo pode acontecer, inclusive nada, como diz a música “A natureza das coisas”, letra de Accioly Neto interpretada por Flávio José.

Numa das minhas poucas idas a Brasília, nessas militâncias da vida, certa vez fui ao bar Carpe Diem, point de gente das letras e das artes ou, como se costuma dizer no jargão, lugar de encontro dos “intelectuais”.

Estava na companhia do jornalista e parceiro de lutas Marcio Jerry, ainda no PT e no movimento de rádios comunitárias, que à época convidou o então juiz federal Flávio Dino para um encontro informal.

Acho que àquele tempo Dino não pensava em ser governador do Maranhão e nem Jerry deputado federal. Mas, isso não vem ao caso agora.

Sentamos no Carpe Diem e começamos a papear. Eis que repentinamente aparece um homem negro de voz empostada, elegância nas palavras e foi logo anunciando mais ou menos assim: “eu sou a mesma pessoa, meus cabelos e minha voz são os de sempre, mas meus livros estão renovados”.

Quando viramos para mirar o pregoeiro, deparamos com Jorge Capadócia, velho conhecido da turma do movimento estudantil dos anos 1980 e 1990 no campus do Bacanga, na Universidade Federal do Maranhão.

Capadócia era o cara das grandes sacadas musicais e foi um importante agitador da cena cultural de São Luís naquelas décadas. Entre tantos shows, ele produziu o antológico Urubu Guarani – As sete faces da canção (1987), uma referência inicial na carreira do cantor e compositor Zeca Baleiro.

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