Natal no Centro Histórico de São Luís

As irmãs Camila e Carla Santos, do bairro Cruzeiro do Anil, trouxeram seus filhos e sobrinhos para o Natal no Centro Histórico de São Luís.

Assim com elas, crianças, idosos, jovens casais e seus filhos dos mais diversos bairros de São Luís, do interior do Maranhão e turistas de outros estados e estrangeiros estão fazendo do Centro Histórico de São Luís um espaço de passeio e lazer.

irmãs Camila e Carla Santos com filhos e sobrinhos no Natal no Centro Histórico de São Luís.

Natal é luz. É uma festa universal. É celebrada até mesmo em países onde a prática do cristianismo é pequena, como Japão, Índia e na muçulmana cidade de Dubai, nos Emirados Árabes.

Há ícones de Natal, que remetem a países com neves, como o Papai Noel e o seu trenó, que se tornaram universais, independente do clima e da cultura de cada nação e que fazem parte, também, da decoração do Natal no Centro Histórico de São Luís, assim como a programação inclui contos indígenas da Cia Casa do Sol e louvação a escritora maranhense Maria Firmina, personagem que percorre o cortejo.

Interessante lembrar que há comportamentos em países tropicais, como os ligados ao reggae, um ritmo tropical/caribenho, com suas indumentárias e tranças, que são cultuados em países frios como a Inglaterra e Canadá. São as interações culturais praticadas há séculos pelos homens. É vida que segue.

Além das irmãs Santos, centenas de pessoas estão aproveitando, diariamente pelo Circuito do Natal.

Um profissional da área de comunicação social, que não quis se identificar, afirmou que não gosta do Circuito de Natal, mas veio para trazer mãe que gostou muito do passeio. “Este lugar é lindo!”, afirmou a mãe.

O casal Fernando (administrador) e Janaína Sousa (advogado) levaram os filhos, Daniel e Luna (Foto acima), ao Natal do Maranhão. Para eles é um momento, também, de mostrar a beleza do Centro Histórico para os filhos.

Eles percorreram o circuito, que começa na Praia Grande e segue até o espaço da Av. Pedro II e Praça Benedicto Leite, pela Rua da Estrela.

Então, sejamos todos bem-vindos ao Natal do Maranhão.

Artistas em Natal

Os artistas do Maranhão são as referências na programação. Entre os quais, Adriana Soraya (piano, voz e sax), Camila Reis, André Lobão, Ulysses (Coletivo Confabulação), Gilson César (mímica), Coro Orquestra Jovem João do Vale, Guilherme Guimas, Bráulio Bessa (cordel) Rosana Fernandes, Juçara Cantoneira, Shamach Viana, Luciana Pinheiro, Heidy, Djuena Tikuna.

Entre os grupos artísticos, que realizam espetáculos em vários locais, a Cia Casa do Sol (contos indígenas), Circo Tá na Rua, Pulsar Cia de Dança, Ballet Olinda Saul, Ballet Débora Buhaten, Santa Ignorância Cia de Artes (Natal em cordel), Banda de fanfarra Soldadinhos de Chumbo, Caçoeira (chorinho natalino), Cia Casa do Sol, Orquestra Berimbau Mandingueiros do Amanhã, Coral São João, Banda Vagalume, Xama Teatro, Maria Firmina (Poesias/Teatro), Vagalume, Orquestra Guajajara, Banda Unidunitê, Tramando Teatro.

Jornalista Ademar Danilo é um dos locutores da Rádio Natal do Maranhão

O Cia Cambalhotas, do bairro Anjo da Guarda, criou o Papai Noel, boneco gigante que está fazendo a festa da criançada aos fins de semana. O boneco é acionado por uma equipe de integrantes do Cambalhotas, grupo que há muito tempo trabalha com teatro de bonecos.

Há, também, a presença de corais como o Uirapuru, Madrigal, Paz e Bem, Jovem Adventista, UFMA, Madrigal Santa Cecília, Maranatha, Liberty, Som das Águas e o Nossa Voz.

E uma novidade deste ano, a Rádio Natal do Maranhão, transmite ao vivo para ruas e praças do centro histórico de São Luís a programação natalina intercalada com músicas e entrevistas. A Rádio é comandada pelos jornalistas Ademar Danilo, Zema Ribeiro e Gilberto Mineiro.

Dom Hélder Câmara no programa Daqui, na TV Mirante

 

Em uma homenagem da TV Mirante ao aniversário de São Luís, o Programa Daqui entrevista o jornalista José Reinaldo Martins. Tema: fotografias de época de São Luís.

Nesta foto, do acervo de  José Reinaldo Martins, apresentada no programa, a presença de Dom Hélder Câmara (1909-1999) na Praia Grande, Centro Histórico de São Luís, antes da execução das obras do Projeto Reviver, na década de 1980.

José Reinaldo Martins era estagiário do Jornal O Imparcial e sugeriu a foto ao fotojornalista A. Baeta.

Dom Hélder chegou a ser nomeado bispo de São Luis, em 1964, mas não chegou a assumir por causa do falecimento do bispo do Recife, lugar que ele acabou ocupando. No lugar de Dom Hélder veio para São Luis Dom Mota procedente de Sobral (CE).

Ganhou fama como arcebispo emérito de Olinda e Recife, como um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e defensor dos direitos humanos durante a Ditadura Militar no Brasil. Foi o brasileiro por mais vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações.

Último dia do Ambulatório Santos, de Seu Tonico

Antônio de Jesus Coelho Santos, o Seu Tonico, 96 anos, abriu o Ambulatório Santos, pela última vez, no domingo, dia 1° de setembro de 2019.

O Ambulatório Santos funcionou, deste a década de 1970, na Rua Humberto de Campos, 205, uma via que começa na Praça João Lisboa e segue rumo à Praia Grande, no Centro Histórico de São Luís.

Acompanhado do neto, Mauro Praseres, e da filha, Ilda Santos, Seu Tonico comandou a mudança. Indicou à filha e ao neto como retirar e transportar cada peça, cada produto que saia para ser acomodado no veículo estacionado em frente ao ambulatório.

“Mauro, este litro não pode ir deitado; tem de ir com a tampa sempre para cima”, recomendou Seu Tonico ao neto.

Os porta-retratos foram indicados para irem na parte da frente do carro e não na carroceria.

De Arari a São Luís

Em 1974, Seu Tonico e família saíram da cidade de Arari, no Maranhão, para São Luís. Antes, passaram um ano em Miranda do Norte.

Em São Luís, Seu Tonico abriu o Ambulatório Santos. “Muitos fregueses confiam mais em mim do que nos médicos”, afirma Seu Tonico, que não chegou a concluir o curso de farmacologia, mas é dono de uma alquimia própria.

Mauro contou que cresceu ouvindo elogios ao avô. Ele recorda que diversos clientes diziam frases do tipo “Eu não vou em médico assim; eu vou em Seu Tonico, primeiro”.

Pai de seis filhos, entre os quais o cantor e compositor Zeca Baleiro, Seu Tonico atendida pessoas com problemas de saúde, vendida remédios, incluído fórmulas farmacêuticas próprias, e fazia pequenas cirurgias.

Tom Zé e Torquato Neto no Café Guará

O Café Guará, no Chico Discos, é mais um espaço de lazer e cultura aberto neste tempo de revitalização do Centro Histórico de São Luís.

Funciona no térreo do sebo e bar Chico Discos, na esquina das ruas dos Afogados e São João, de segunda a sábado, das 9h às 18h.

Neste sábado (10) o Café Guará foi o palco de lançamento, em São Luís, do livro “Vaia de bebo não vale!”, sobre a trajetória de Tom Zé, de autoria de Helen Lopes, natural de Codó.

Disponível para o download gratuito no link: https://editorapassagens.blogspot.com/2019/04/tom-ze-e-um-capitulo-especial-quase.html

Também foi o momento da cientista social Isis Rost incrementar mais a venda  “O Risco do Berro – Torquato Neto, Morte e Loucura” com a vida do poeta piauiense.

Na foto, Chico Discos entre o poeta Celso Borges e Isis Rost.

É agosto e os ipês estão floridos

É agosto e os ipês começaram a florir no Centro Histórico de São Luís.

Marcus Studio fotografou o ipê mais visível, no momento, que está na Avenida Pedro II, próximo ao Palácio dos Leões.

Marcus Studio mantém exposição fotográfica, aos domingos, na Feirinha da Praça Benedicto Leite, no Centro |Histórico de São Luís. A sede fica na Rua das Margaridas, 9 – Ponta d’Areia.

Existiam mais ipês em São Luís. Nos últimos anos, o serviço de arborização menosprezou essas árvores e as frutíferas, como mangueiras.

Ipê-amarelo

O ipê-amarelo está presente em todas as regiões do Brasil. O porte médio é de 8 a 10 metros, mas pode atingir 30 metros de altura.

Atenção: a época de coleta de sementes é outubro a novembro. A germinação é rápida.

Praça Deodoro vira espaço de lazer às crianças

Neste sábado, 3 de agosto de 2019, vi crianças e adolescentes brincando, a noite, na Praça Deodoro.

Há um ano isso era impossível.

É prova que a saída para o Centro Histórico é revitalizar a infraestrutura, monitorar as ocupações (uma Blitz Urbana ordeira), habitação com respeito ao silêncio, iluminação (que a Cemar devolva, com eficiência permanente, os serviços que oferece e que caros que oferece), limpeza e segurança.

Ave ao Centro Histórico de São Luís!

Casarão desaba no Centro Histórico

Casarão abandonado no Centro Histórico de São Luís desabou, neste período chuvoso, por volta das 5h desta manhã de domingo (24).

Ficava localizado na Rua Jacinto Maia, perto do Convento das Mercês.  Era ao lado do antigo e tradicional bar Meu Bem, que funcionou na esquina nas ruas Jacinto Maia e Palma.

Outro que está ameaçando desabar é o belíssimo casarão Vira Mundo, na esquina das ruas do Giz e Humberto de Campos. Há informações, não confirmadas, que o imóvel é de propriedade da família Murad.

Corpo de Bombeiros

No período da Tarde, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMA) isolou a área e início o processo técnico ara garante segurança. A proposta é que o IPHAN verifique equipamentos  de valor histórico como s proteções de ferro das sacadas e outros detalhes, que devem ser recolhidos e preservados.

Fotos J.Silva

Centro Histórico de São Luís e o Natal 2018

Luzes do Centro Histórico de São Luís e Rio Anil. Foto de autoria de Jardel Scot. Captada durante o Natal 2018 realizado na Avenida Pedro II e Praça Benedito Leite.

Nesta foto, o Centro Histórico de São Luís é o foco com a foz do Rio Anil visto em toda a sua plenitude. A área moderna de São Luís está ao fundo, em segundo plano, depois da área do São Francisco.

O Natal 2018 deu mais vida e visibilidade ao Centro Histórico de São Luís atraindo milhares de pessoas em dezembro.

Foi o espçao das famílias que não possuem poder aquisitivo para frequentar restaurantes sofisticados e para realizar viagens a balneários. Conseguem, com muito esforço, comprar um carro.

Fazem partes dessas famílias dois públicos que tem muito pouca opção de lazer em São Luís: as crianças e os idosos.

As crianças e os idosos foram os personagens principais do Natal 2018 no Centro Histórico de São Luís.

O tema Centro Histórico de São Luís (e suas conexões) é o motivo do site Agenda Maranhão existir. Por isso, nossos parabéns ao Natal 2018!

Romana Maria, a arte mora no Centro Histórico

A Artista Romana Maria optou por morar na Rua da Palma 393, no Centro Histórico de São Luís, próximo ao Convento das Mercês. O local é, também, um atelier no qual ela recebe alunos no seu trabalho como arte-educadora.

2018 foi um ano de vitórias para Romana Maria. Ela teve o seu trabalho Fosseis de Gesso, com 18 esculturas, aprovado no projeto Ocupa 2018 do Centro Cultural Vale do Maranhão.

As esculturas, criadas em 2018, são inspirações que vem das formas do mar, manguezais, animais e pessoas.

Entre os materiais usados, a argila, que vai ao forno, em uma temperatura de mais de 800 graus para virar cerâmica.

Foto/Acervo Romana Maria

“Vejo as formas no mar, nos mangues, nas pessoas”, diz a artista.

Fotos Joedson Silva

São Luís em “Pierre Fatumbi Verger: um homem livre”

Joedson Marcos Silva, professor de Filosofia da UFMA

Descarregando embarcação no Portinho

Pierre Verger, nascido em 1902, em Paris, foi um destacado fotógrafo e antropólogo, estudioso da diáspora africana. Ele viajou os quatro continentes e documentou diversas culturas e civilizações, tendo o seu trabalho fotográfico publicado em revistas como Daily Mirror, Paris-Soir, Life e Match.

Por sua importância, Verger mereceu algumas biografias. Uma delas é “Pierre Fatumbi Verger: um homem livre”, escrita pelo sociólogo Jean-Pierre Le Bouler, editora Fundação Pierre Verger, lançada em 2002. O livro mostra a vida do fotógrafo, desde a sua infância na França até a sua fixação na Bahia, narrando suas viagens e os seus estudos das religiões.

Em uma parte do livro de Jean-Pierre Le Bouler, ao escrutinar o cuidadoso trabalho de pesquisa do biografado, o autor permite que conheçamos uma importante descoberta do antropólogo francês relativa a um episódio da história das religiões afro-brasileiras em São Luís.

Em visita a capital maranhense, em 1948, Verger foi ao encontro de Mãe Andresa, que presidia a casa responsável por introduzir o culto dos voduns do Daomé no Brasil. Na lista dos deuses daomeanos cultuados ali, constavam os seguintes nomes: Zomadonu, Naiadonô, Aronovissava, Bepaga, Sepazin, Maitê, Agongonô e outros.

Mãe Andresa

De posse dos nomes dos voduns passados por Mãe Andresa, Verger segue para a fronteira do Daomé (situado onde hoje é o Benin) com o Togo. Lá viviam “os ‘minas’”, vindos da região conhecida por Castelo de São Jorge de Mina, no Gana (antiga Costa do Ouro). A empreitada, no entanto, é frustrada, já que os nomes colhidos por Verger em São Luís eram completamente desconhecidos no local de sua primeira investida.

Verger, então, passa a mergulhar em documentos dos séculos XVII e XVIII e descobre que expressões como “negro mina” e “negro da Costa da Mina” abreviavam e faziam referência a “negro da costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina”. Trata-se da região chamada em outras épocas de Costa dos Escravos, entre os rios Volta e Lago.

Os escravos chamados no Brasil de negros Mina, portanto, não eram procedentes da Costa do Ouro, como inicialmente pensava Verger. Eles, na verdade, eram adquiridos nos portos situados mais ao leste ao longo da chamada costa do Daomé.

Foi somente em Abomé, capital do antigo reino do Daomé, que os nomes dos voduns apanhados em São Luís foram reconhecidos em território africano. Nas palavras de Verger, esses nomes “fizeram maravilhas” e acabam por tornarem-se “senhas, que ele usa junto a Mivede, sacerdote abomeano de Zomadonu”, um dos voduns citados por Mãe Andresa.

Capa do livro

Uma vez identificados, agora, sem muitos obstáculos os voduns, fica-se sabendo que todos têm ligações “com os membros da família dos sete primeiros reis de Abomé, ou com alguns dos próprios reis, de Dakodonu (que reinou de1625 a 1650) a Agonglo (cujo reinado estendeu-se de 1789 a 1797)”.

Tendo em mãos um inventário de vinte voduns classificados na ordem listada por Mãe Andressa, identificados a partir de então como reis de Abomé, uma análise do estudioso permite concluir que nenhum deles é posterior ao reinado de Agonglo. A partir destas informações, Verger cogita a possibilidade de Na Agontimé, mãe de Ghézo e viúva do rei Agonglo, ter sido deportada para São Luís, como escrava, trazendo consigo o culto dos voduns reais de Abomé para a Casa das Minas.

Em 1952-1953, em um texto intitulado “Teria o culto dos voduns de Abomé sido trazido a São Luís do Maranhão pela mãe do rei Ghézo?”, o estudioso francês explora o tema, mas, segundo as palavras de Jean-Pierre Le Bouler, somente em 1985 que essa questão passa a ser compreendida.

O desenlace final da investigação de Verger, no entanto, aparece num texto de 1990 sobre a rainha exilada e a vinda do culto dos voduns para São Luís, cujo título categórico parece mostrar que está esclarecida para o pesquisador a questão a que ele se dedicara: “Uma Rainha Africana em São Luís”.

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