
Por: Cynthia Martins
Dia de poesia. 05 de dezembro 2024. Chico’s Disco. Lúcia Santos. Macabéa Desvairada. Perdição Genial.
O novo livro da poeta é oferecido a sua mae, dona Socorro e ao poeta Celso Borges.
E, lembrei que escrevi sobre a poeta. Eis o texto:
“Se o dia é agora
Quero o sol em minhas mãos
Antes que anoiteça”
Como Bashô na estrada de Kiso, Lúcia Santos transita por uma “trilha errante”, mas, ao mesmo tempo de um modo próprio, sem esquecer de deixar uma plenitude infinita na concisão dos seus poemas, de exercitar a sua “dúvida de crente”. Essa dúvida a coloca na condição de pôr em xeque, através da sua linguagem poética, e, sem intenção explicita, aquilo que se acomoda. As condições de exercitar a descrença com o que está dado são ampliadas por ser uma profunda conhecedora do campo poético, condição de permissão para não seguir à risca uma tradição. Traz à cena um fazer poético ousado, visceral, saído de um calor de nordeste.
Nascida no estado do Maranhão, terra de poetas consagrados, precisamente na cidade de Arari, banhada pelo Rio Mearim, ao invés de somente seguir linhagens do passado, prefere “o dia de agora”, reinventa um novo seguir, “com o sol na mão”. Um sol feminino, urgente, capaz de acender, de “mandar às favas o certo”, ou melhor, aquilo que parece certo.
Lúcia Santos ganhou prêmios, tais como o Prêmio Poesia da Fundação Bandeira Tribuzi – MA (1986) e, em 1991, seu poema “Clara Manhã” foi classificado no VII Festival Maranhense de Poesia Falada da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Seu livro “Batom Vermelho” (1988), rendeu o primeiro lugar no XXIII Concurso Literário e Artístico “Cidade de São Luís – Prêmio Sousândrade”. Continuou com suas publicações, no ano de 2006, publicou “Uma Gueixa pra Bashô” e em 2016 publicou “Nu Frontal com Tarjas”. É citada em livros e antologias sobre poetas brasileiras. Participou de várias coletâneas de poesia e tem seu nome no “Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras”, de Nelly Novaes Coelho.
Lúcia Santos é citada no artigo intitulado “Poetisas Maranhenses contemporâneas”, escrito por Dinacy Mendonça Corrêa e Anderson Roberto Corrêa Pinto. Nesse artigo a autora e o autor reconstituem a vida e a obra de poetas maranhense, suas principais influências, suas formações e suas relações. Além de Lúcia Santos, são citadas as poetas Laura Amélia Damous, Dilercy Adler, Rita de Cássia Oliveira, Rosemary Rego, Geanne Fiddan, Andrea Leite Costa, Henriqueta Evangeline e outras. Nesse texto observamos uma crítica à cultura androcêntrica e considerações sobre o reconhecimento tardio da mulher no campo literário . De fato, no Maranhão, escritoras como Maria Firmina dos Reis, ficaram no anonimato por muitos anos. Fenômeno mundial.
Os caminhos traçados e percorridos por Lúcia tiveram paradas obrigatórias em autores da literatura, principalmente da poesia, passagem por becos do teatro e escadas rumo à música. Do palco à poesia falada, trabalhou com atores, músicos e poetas. Fez roteiro, apresentou os seguintes espetáculos de poesia: “Batom Vermelho”, “Cordel Technicolor”, “Eros&Escrachos”, “Dentro da Palavra”, “Cochichos de Bruxas”, “Ménage à Trois”, “Papas na Língua”, “Companhia Ausente” e “Versos sem Tarja”. No seu campo literário cabem muitos nomes, de autores de diferentes nacionalidades, incluindo poetas brasileiras e brasileiros de seu convívio, quando viveu na cidade de São Paulo.
Publicou “Quase Azul Quanto Blue” (1992), “Batom Vermelho” (s.d), “Uma Gueixa para Bashô” (2006) e “Nu Frontal com Tarja” (2016) e “Quinta Sinfonia”. E agora, o estonteante “Macabéa Desvairada”. As duas dimensões da obra da poeta, a saber, a trajetória e o conteúdo dos poemas, longe de serem distantes, vinculam-se, permitindo o acesso à profundidade existente no ato de ser poeta integralmente, de ter em si a “façanha de ser poeta”. Essa façanha certamente exige situar-se em uma terra de poetas consagrados, expressando-se de um modo contemporâneo sem abdicar de leituras de autores situados em diferentes tempos. Impõe um brilho rebelde e sedutor a São Luís. Uma poeta com dedicação integral ao seu ofício. Desperta nossas iemanjás, nossas fragilidades, nosso fogo – mesmo que nunca tenhamos recebido flores.
A cidade de São Luís, respira poesia em cada esquina, a poesia está no teatro, a exemplo dos espetáculos do artista Hélio Martins, tal como o “Lendas, ritmos e a poesia da Ilha de São Luís”; das próprias músicas, que reproduzem poemas de poetas locais, a exemplo do fenomenal CD “Palavra Acesa”, com os poemas de José Chagas; ou mesmo a arte circense, com prática de distribuição de poemas nas ruas da cidade em realejos, tal como faz o mímico Gilson César. E os poemas de Lúcia dão vida às esquinas, aquelas “que tem frestas e fazem as folhas se sentirem em casa”.
Desfazendo Mitos
A poeta Lúcia Santos recria tradições, do haikai japonês – tal como o poeta Bashô. Ela possui leituras de poetas brasileiras de diferentes estilos como Alice Ruiz, Clarice Lispector, Hilda Hilst, Adélia Prado; poetas brasileiros como Paulo Leminski, Carlos Drummond de Andrade, dentre outros e de diferentes nacionalidades, como Maiakovski, Rilke, Baudelaire, Tchecov, somente para citar alguns. Mas em verdade, tem como norte uma gama ampla de referências, situadas em muitos tempos e lugares, e, quanto mais amplia, mais singulariza seus escritos conciliando-os com o que há de mais universal na arte poética. Essas leituras, de poetas e literatos permitem uma construção literária específica. Lúcia constrói sua poesia sem referência fixa a correntes ou autores, e, ao mesmo tempo, recorre ao que há de mais caro à poesia: a possibilidade de transitar, “de estar no velejo, viajando, sem sinal de terra à vista, admitindo a possibilidade do naufrágio ou se perdendo de vista no mar tão grande”. Mas, ao mesmo tempo, a fuga do automatismo do sentido, a fuga da previsibilidade, não retira da palavra o seu peso, o pensamento, “sua âncora”. A permissão em se deixar ir, de vez em quando, resulta na autonomia da própria palavra, que assusta o leitor, pegando-o de surpresa, quando a poeta quer, vejamos:
“Penso
Logo peso
Âncora?
Quando quero”
Portanto, a trajetória de Lúcia, não é reconstrução, nem traçar o caminho percorrido de forma monótona, não é desvendar significados, nada disso. Até porque esse mar está distante de ter uma linearidade. Ela ousa “correr de marcha ré”, “desfazer mitos”, como bem coloca nos dois poemas a seguir:
Cifrada
“cada ser é só
cada dó em si
mifasermaisol
queimando pra lá
perto do arco-íris
onde mora eros
corro em marcha ré”
Ou,
“nem deuses nem malditos
a gente cresce
desfaz mitos”
É com o “sol na mão”, que ela inaugura a possibilidade de “emergir do barro e seduzir a serpente sem tremer”. Talvez a serpente do tempo de Eva seja parenta daquela que arrodeia a ilha de São Luís e que fará submergir a ilha, se a cabeça tocar o rabo. Lúcia opta por ser Ave, não Eva, voando e impedindo, de vez, a possibilidade de permanência na posição do fundo do mar, ou do poço.
AVE (não- Eva)
“e o que sou de poeta
hoje me basta
pra emergir do barro
que tramou Deus
já não tremo ao seduzir serpentes”
Partindo do mar, Lúcia se permite alçar voos em um caminho que pode ser contrário ou “domar a correnteza” e, apesar disso, é capaz de planar nas alturas, desobedecendo a permanência de uma única direção. Já notava o poeta José Chagas, ao escrever sobre o primeiro livro da poeta, “Quase Azul Quanto Blue” (1992), o domínio que ela sempre teve das palavras, assim como as referências ao mar. Para ele, “o direcionamento é sempre sensível, para o que seja a substância mesma da poesia”, isto em razão “do que ela já faz com as palavras e não do que as palavras poderiam fazer com ela”, e continua, “ir para o mar, é o destino de todo rio” (Chagas: 1992). Ela é da ilha, ou melhor, a ilha de São Luís é um dos seus portos. Navega ao redor dos mares dessa mesma ilha, mas se permite, em alguns momentos, observar de longe, com outras referências, admitindo que a grandeza e a pequenez dependem do ângulo. Amplia sua lente de modo a olhar o que ninguém vê – atitude essencialmente permitida às poetas, aos poetas.
A estrada de Lúcia parece ser o mar com sua direção vasta e de possibilidades múltiplas. Um navegar que se deixa levar pelo vento, mas que possui uma vela e uma linha que tece a rota na qual cada livro, cada conto, cada música compõe seus diferentes pertencimentos artísticos articulando-se de modo próprio e inusitado.
Comovida pelo amor a poeta descreve as solidões, solidões das mulheres que escrevem e se recusam a ser somente objeto, essas, “cujo talento a playboy não investe”.
Seu talento é corporal de muitas maneiras, está “na pele e não é qualquer um que vale a queima das suas velas”. É preciso ter alma para acompanhar. E, sobre suas solidões, elas são comuns no inverno, conforme a própria divisão de seu livro “Uma Gueixa pra Bashô”. Intercala a solidão com as ardentes paixões, logo no verão. Abaixo dois poemas sobre solidão e três sobre a paixão, para que o jogo não fique empate.
“amor água
em solidão pedra
tanto medra até que mágoa”
“solidão
sólido cristal ou
chuva de verão”
“tua língua em meu ouvido
babel
onde tudo faz sentido”
“em tua mão destra
meu violino só
vira orquestra”
“amor servido à francesa
prazer
só na sobremesa”
Seus poemas possuem uma sonoridade que resultou na parceria com músicos, dentre as gravações destaca-se o seu poema Febre, escrito em parceria com Zeca Baleiro, gravado por Margareth Menezes, reproduzido a seguir:
Febre
“Se a tua mão não me afaga
A minha mão, adaga
Se teu coração não me deseja
O meu lateja
Me trate como eu mereço
Me enfarte sem que eu peça
Me afague pra que eu cresça
Esqueça da minha febre
Me guarde louça para que eu não quebre
Minha alma se fecha quando não te achaAs flores ressecam
Viram dia noite escura
Se você some de casa
Me trate com eu mereço
Me enfarte sem que eu peça
Me afague pra que eu cresça
Esqueça da minha febre Me guarde louça para que eu não quebre”.
Destaca-se ainda a música Ela é a Tal, poema de Lúcia Santos e Zeca Baleiro, seu irmão, trilha sonora da novela Ribeirão do Tempo, da TV Record e interpretada por Paula Lima.
“Ela se espalha cheia de graça, cheia de si
Ela se acha e ele se perde ali
Ela se espalha cheia de graça, cheia de si
Ela se acha e ele se perde ali
Ela não lhe dá bola, finge que nem olha
Ora mas vá, pra que olhar pra esse Zé?
No seu carro blindado com bacana do lado
E ele só de longe amando essa mulher
Ela não lhe dá bola, finge que nem olha
E ele só sonhando com essa mulher
(Essa mulher, essa mulher, essa mulher)
Ela é aquela, ela é a tal”
Essa letra foi a única produzida “por encomenda”, tendo em vista que o leme da artista sempre foi o vento das suas vivencias e sem um “direcionamento dirigido”.
Uma Gueixa pra Bashô
Lúcia Santos mostra-se, no seu livro “Uma Gueixa pra Bashô”, conhecedora do haikai japonês, incorporando seus fundamentos de modo próprio, recorrendo a Leminski, e, outros, trazendo as referências à natureza e às estações do ano sem deixar de situar o sentido de sua aldeia, de seu canteiro.
No haikai, as referências à natureza podem ser através de expressões explicitas, como “lua cheia de outono”, ou de modo implícito através de fenômenos naturais que ocorrem nas estações (Marsicano, 2008). Não é sem um propósito que o livro “Uma Gueixa para Bashô” se divide em quatro partes, cada uma delas correspondendo a uma estação do ano, em acordo com a própria composição do haikai japonês. Na primeira parte do livro intitulada “Outono”, logo no primeiro poema, “O poeta e o monge”, é possível observar o lugar da poesia na estrada de Lúcia.
O poeta e o monge
“Não há como ser zen
Sem poesia
Bashô a Bucchô diria”
No inverno a poeta expressa que:
“do fundo do olho do espelho
uma lágrima me assalta,
falta”
Na primavera o amor ainda comove; no verão a inútil paixão. E o ciclo inicia e se fecha com o outono, quando
“as nuvens laranjas
esperanças vãs
à tardinha passam”
A literatura sobre a poesia japonesa fala sobre o encontro de Bashô com Buccho, no ano de 1681 como o início da influência do zen budismo na poesia, com a introdução da postura de lótus, denominada zazen. E, com a percepção de que o universo inteiro não está desligado dos mínimos eventos aleatórios como o desabrochar de uma flor (Marsicano, 2008). Lúcia sabe disso tudo, das possibilidades da poesia em penetrar no arbitrário de modo a dar sentido a uma incompreensão dela própria. “Cabe pensar e pesar” e o não pensar, como recomenda o zen budismo.
No livro “Uma Gueixa pra Bashô”, as referências à lua, ao sol, ao cristal, à chuva de verão, associam-se, por vezes com o que a sociedade lança preconceitos, com a loucura, com a menstruação, a solidão. A natureza não é pura nos poemas de Lúcia, muito menos sacralizada, ao contrário, mistura-se com o vivido, com aquilo que é percebido. Uma natureza viva. Como bem expressou o poeta maranhense Celso Borges sobre esse livro, em particular: (…) “Ainda bem que chega agora Lúcia Santos, que de forma corajosa nos presenteia este prato de delícias irônicas e eróticas” (Borges, 2006). É uma natureza vivida, transformada, “que crê em miragens de lua e cria coragem para o dia”.
“Dias de sol me esquecem
flores guardadas nos livros
permanecem”
ou,
“minha loucura é branca
cor de lua
velha senhora que menstrua”
e ainda,
“solidão
sólido cristal ou
chuva de verão”
O que se tem nesses poemas é uma invenção, uma “tradição inventada”, para viajar no que diz Hobsbawn, sem similaridades exatas. Eles são feitos “para ouvir com lupa”, conforme Chico César diz, na orelha do livro Uma Gueixa pra Bashô.
Ou como nos coloca a poeta Alice Ruiz:
“O Japão inventou o Haiki e o Brasil antropofagicamente, inventou o poema mínimo (…) os poemínimos de Lúcia são mimos de sensibilidade, humor, mulheridade, verdades profundas e doídas, que ela, com destreza, torna divertidas (…) mínimas pílulas concentradas de modernidade e prazer. Muito prazer” (RUIZ, 2006).
O processo criativo de Lúcia considera a presença das mulheres, e isso podemos perceber no título dos seus livros, nas citações e epígrafes, tal como no livro “Quase Azul Quanto Blue” (1992), no qual as divisões das partes reproduzem a poesias de mulheres como Martha Medeiros e Florbela Espanca.
O diálogo é aberto, sempre invertendo o lugar no qual a mulher pode ter sido porventura colocada, seja na poesia, seja na vida, inclusive na vida doméstica. Não é à toa que ela diz “guardar seus zelos a um homem de estimação”.
Doméstica
“Coleciono selos
cultivo pássaros em meu viveiro
Mas os meus zelos
guardo-os todos
para um homem de estimação”
Ou, afinando os desejos das mulheres, de todas elas, com o seu próprio:
“a cabeça de um homem
numa bandeja
toda mulher deseja”
A palavra âncora diz e, ao dizer com peso, solta as amarras.
Na poesia de Lúcia o “amor tem espaço para todos os laços, para todos os fins”. As definições e posições ideológicas nunca devem enrijecer a condição mágica da palavra, criadora daquilo que ela própria expressa. Quem diz é ela, e diz como quer, sem preocupação com o efeito moral do seu batom vermelho, do seu nu frontal com tarjas. Seu compromisso é com o efeito da linguagem, “a poesia é seu grande feito”.
Ela é uma gueixa capaz de criar a palavra, definindo, ao invés de ser definida. E aqui destacamos como, ao longo do tempo, as mulheres ficaram à margem da produção literária. Visibilizar os poemas e escritos de mulheres é uma maneira de trazer novos temas e formas novas de olhar o antigo. Visibilizar a poesia das mulheres significa “não viver por procuração”, para citar a escritora Simone de Beauvoir.
Nu Frontal com Tarjas
O livro “Nu Frontal com Tarjas” precisa ser tomado-lido em doses lentas. Exige uma constância, no sentido de retornarmos sempre à leitura, para saboreá-la aos poucos.
Para saber da “desmedida exata” é preciso transitar no prazer, de ser, de não ter “sangue de barata. Saber que pode não dar em nada, pode dar em pó, em poesia, roda ciranda de Lia”. A desmedida do prazer para além do “ansiolítico sublingual”. Dividido em três partes, a saber, “A tesoura de Dalila”, “MudOlhar” e “Além Dali” o livro traz uma dimensão erótica possível de ser percebido nos demais trabalhos. Mas aqui com uma intensidade maior. Os poemas oscilam como tudo que seduz. O livro é proibido para aqueles que não se permitem viscerais, devorados e capazes de devorar a poesia toda, com toda a libido. A libido em tudo, “no ato e no desato”.
No livro “Nu Frontal com Tarja” a dimensão erótica se intensifica em um processo inverso ao que predomina na sociedade. Ou seja, se predomina uma visão que associa o novo ao sedutor, aqui, a sedução e o erotismo se intensificam quanto mais o tempo passa.
Na sociedade dos “selfs o tempo todo,” o auto centramento deixa o erótico em um só lugar. Na poesia de Lúcia, ao contrário, o erótico exacerba-se em tudo, em todo o corpo, desatrelado do tempo. “Um corpo que não pensa, coração ultrapassa”.
Lúcia recusa, agora, até o seu batom, que nem sabemos se ainda é vermelho – ela muda o tempo todo – opta por marcar o corpo do outro, em uma atitude altiva, própria da palavra: “marcar”, “firmar a posição do desejo”, “dizer”, “desdizer”. A palavra continua a ser sua fuga, não qualquer palavra, e sim aquela colocada no poema, seu fio terra. A porta da poeta nem sempre está aberta, isso porque se permite escolher e a escolha é sempre por “uma não certeza”.
Estamos diante de uma poesia capaz de penetrar o dentro de cada uma ou de cada um. Erótico é o que pulsa dentro, de modo intenso e não condicionado. Assim, com a palavra, com o corpo, ela consegue libertar essa dimensão prazerosa dos ditames exclusivamente masculinos, com poder de fogo, colocando o “seu time em campo”, e traz, sussurrante, e sem querer, um feminismo potente, surpreendendo as leitoras com seu “jogo de cintura”.
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