Por Carlos Alberto Martins (Engenheiro eletricista)
Mais ou menos em 1955 eu acordei ao som de uma sanfona tocando, lá para o lado da cozinha na nossa casa, na Rua Godofredo Viana, atrás da então Faculdade de Direito, em São Luís (Brasil).
O maior forró Pé de Serra corria solto e uma sanfona só faltava falar.
Tinha uns 11 anos de idade e me levantei sonolento. Olhei para a rua, pela janela do meu quarto, e tinha um monte de gente se aglomerando.
Sai do quarto um tanto quanto apressado e chegando na copa, onde faziamos as refeições, lá estava um cara cantando e lascando os dedos, muito ágeis, em uma linda sanfona prateada.
Era o músico paraibano Sivuca (Severino Dias de Oliveira).
Foi um momento importante da minha vida, que eu gosto sempre de recordar. Depois da apresentação e da saudação feliz e receptiva para as pessoas que estavam na rua para vê-lo, Sivuca tomou café conosco, na mesa da copa da minha casa.
Meu pai, o comerciante José de Jesus Mendes Martins (Zé Espicha) havia passado a noite na praia do Olho d’Agua, com amigos e a presença de Sivuca.
Sivuca estava em São Luís para uma apresentação.
Não sei por onde os dois se conheceram. Se foi mesmo na praia do Olho d’Agua ou se meu pai encontrou ele em outro local e levou para a praia.
Só sei que, ao final da farra, bem no início da manhã, eles terminaram lá em casa.
Talvez até para justificar, para minha mãe, Maria de Castro Martins, o motivo de tanta demora para retornar pra casa.
É uma memória feliz da minha infância. E, ao ouvir músicas com Sivuca tocando sanfona, lembro daquele momento e sinto vontade de chorar.
E um som maravilhoso que penetra meus ouvidos como se fosse hoje.
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