Exposição de fotojornalista em Belém retrata mulheres do Maranhão

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Fotógrafa, artista e documentarista Ana Mendes

 

A exposição “Quem é pra ser já nasce”, da artista e fotojornalista Ana Mendes será aberta ao público, neste sábado (17), às 10h, na Associação Fotoativa, que fica na Praça das Mercês, 19, na cidade de Belém (estado do Pará – Brasil).

 

A mostra segue em cartaz até 20 de fevereiro de 2026, com entrada gratuita com curadoria de Nay Jinknss,

 

Café fotográfico

 

Como parte da programação, a mostra participa da agenda do Café Fotográfico, promovido pela Associação Fotoativa.

 

O Café Fotográfico acontece, nesta quinta-feira (15), às 18h30, no Sesc Ver-o-Peso (Blvd. Castilhos França, 522/523, bairro de Campina, em Belém) com a presença de Ana Mendes e da liderança indígena maranhense Pjih-cre Akroá Gamella.

 

Exposição

 

São 24 fotografias e colagens em preto e branco, resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de quase um ano com dez mulheres indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e assentadas do estado do Maranhão (Brasil).

 

Todas são lideranças em seus territórios e enfrentam ou já enfrentaram ameaças de morte em razão de suas lutas coletivas pela terra, pela natureza e pela permanência de seus povos.

 

O ensaio nasce de uma experiência da artista que passou a ser ameaçada, após anos de atuação como fotojornalista, documentarista e cientista social no Maranhão.

 

Diante do risco real, Ana Mendes decidiu deslocar o foco da violência para uma pergunta central: “O que vem depois do medo?”.

 

As imagens apresentadas são respostas construídas a partir do encontro com essas mulheres. “Este é um trabalho sobre amor e esperança. Não é sobre violência e morte”, afirma a artista.

 

Entre as imagens, um autorretrato de Ana Mendes estabelece um diálogo direto com as narrativas das retratadas, funcionando como espelho das lutas compartilhadas por defensoras ambientais, comunicadores e povos tradicionais — grupos que figuram entre os principais alvos de assassinatos no Brasil.

 

Dados de organizações da sociedade civil apontam o país como um dos mais perigosos do mundo para defensores de direitos humanos, com Pará e Maranhão entre os estados que concentram esses crimes.

 

Título da exposição

 

O título da exposição é inspirado em uma frase de Pjih-cre Akroá Gamella, liderança indígena fotografada no ensaio. Guardiã da casa-sede de uma fazenda retomada por seu povo na região da Baixada Maranhense.

 

Pjih-cre viveu no local com três filhos pequenos sob constantes ameaças. Considerados extintos até 2014, os Akroá Gamella seguem em luta pela retomada de seu território ancestral.

 

Para Ana Mendes, a frase sintetiza um traço comum às personagens retratadas: a continuidade dos saberes e das lutas transmitidas entre gerações, “aprendidas com mães, avós e ancestrais”.

 

A exposição integra uma pesquisa fomentada pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), e também constitui um recorte da pesquisa de doutorado que a artista desenvolve no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA).

 

Ana Mendes

 

Ana Mendes é fotojornalista, mestre em Ciências Sociais e atua há mais de oito anos na Amazônia Brasileira.

 

Desenvolve projetos que articulam fotografia, vídeo e pesquisa acadêmica, com foco em comunidades tradicionais.

 

Os trabalhos da fotojornalista foram publicados em veículos nacionais e internacionais e integram o acervo da Biblioteca Nacional da França (BnF).

 

Em 2024, participou da edição francesa do livro Appartenance (Pertencimento). Integra os coletivos Fotografia, Periferia e Memória e Pyhän (Akroá Gamella/MA).

 

Nay Jinknss

 

Nay Jinknss é fotógrafa, documentarista, educadora social, pesquisadora e artivista LGBTQIAP+, natural de Ananindeua, município da região metropolitana de Belém do Pará.

 

Mulher negra e lésbica, constrói uma trajetória artística e acadêmica atravessada pela experimentação, pelo brincar e pela liberdade como fundamentos de seu processo criativo.

 

A pesquisa e produção artística de Nay Jinknss têm como eixo central o enfrentamento às metodologias racistas e às práticas coloniais historicamente presentes na fotografia, especialmente aquelas que representam corpos negros e indígenas na Amazônia, tanto no passado quanto na contemporaneidade.

 

Desde 2008, desenvolve um trabalho contínuo no mercado do Ver-o-Peso, em Belém, território que se tornou ponto de partida para suas investigações poéticas, políticas e visuais.

 

 

 

 

 

Liderança indígena maranhense Pjih-cre Akroá Gamella

 

 

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