Fernando Abreu lança livro Cavalo na Rua Fantasma, nesta sexta-feira (30)

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“Cavalo na Rua Fantasma”, sétima coletânea de poemas do autor maranhense Fernando Abreu e seu quarto livro pela editora carioca 7Letras, terá sessão de autógrafos, nesta sexta-feira (30), às 18h30, no Café do Carmo, na Praça João Lisboa, em São Luís (estado do Maranhão – Brasil).

 

Amante do Centro Histórico de São Luís, onde morou a maior parte da vida, o poeta escolheu como palco a tradicionalíssima Praça João Lisboa (Largo do Carmo) para o lançamento de seu novo livro.

 

Em meio à algazarra dos bem-te-vis no final da tarde, o poeta egresso da “maldita” Akademia dos Párias reúne amigos e amantes da poesia.

 

No cardápio, além dos cafés e iguarias da casa, uma breve leitura pinçada dos 41 poemas que compõem o livro, precedida de apresentação a cargo do poeta e jornalista Félix Alberto. Amigos e colegas de ofício em dose dupla (ambos são jornalistas), a dupla integra o “núcleo duro” do grupo Reverso, que há um ano realizando leituras mensais de poesia em locais variados, dedicando cada mês a um autor, entre brasileiros e estrangeiros.

 

Com prefácio do poeta paulistano Ademir Assumpção, “Cavalo na Rua Fantasma” não traz nenhuma reviravolta formal. Ao contrário, reitera e aprofunda a experiência de linguagem praticada pelo autor nos últimos três livros, marcada pela completa ausência de metáforas ou qualquer outro recurso da chamada linguagem poética, o que resulta em uma oralidade na fronteira do literal.

 

Nesse discurso, no qual os ritmos da fala ganham destaque, a poesia perde as tintas do sublime e se entranha na simplicidade do cotidiano, da vida comum de todo mundo.

 

“Em vez de imagens fortes, arrebatadoras, ruidosas, sua matéria verbal desliza pelos tons prosaicos do cotidiano, ora se detendo sobre um pastel de feira, ora sobre a igreja na frente da pousada, por vezes sobre a pia entupida em pleno domingo, outras vezes sobre um par de “corujinhas pretas & azuis em fundo branco encardido”, afirma Ademir Assumpção.

 

“Não é difícil perceber, prossegue Ademir, que sua intenção norteadora é a de desentranhar poesia das coisas comuns, corriqueiras, cotidianas, assim como um William Carlos Williams tomado por pequenas epifanias ante a visão (real ou imaginária) de “um carrinho de mão vermelho […] ao lado das galinhas brancas”, ou Wislawa Szymborska diante de anjos “que não leem / nossos romances / sobre esperanças frustradas”.

 

Mas a aparente literalidade dos poemas pode trair o leitor desatento, assim como seu aparente prosaísmo.  O que se recomenda, portanto, é atenção redobrada e leitura em profundidade, aliás, o único conselho honesto que se pode dar em relação à leitura de poesia. Mas há uma pista importante, a frase do célebre mitólogo e historiador das religiões Mircea Eliade, escolhida como epígrafe do livro: “É um fato que, na maioria das vezes, um autor não esgota o sentido de sua obra. Os simbolismos arcaicos reaparecem espontaneamente, mesmo nas obras de autores “realistas”, que ignoram tudo de tais símbolos”, diz o texto. Realmente, em “Cavalo na Rua Fantasma”, a palavra “realismo” merece ao menos algumas as aspas.

 

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